Você sente culpa quando foge da ideia do que “deveria” comer? Essa culpa costuma vir acompanhada da ideia de que existem alimentos bons e alimentos ruins, saudáveis e não saudáveis.
É justamente essa dicotomia, mais do que o alimento em si, que pode implicar nos sintomas alimentares de uma pessoa, incluindo episódios de compulsão alimentar ou de transtorno alimentar. Vamos entender a diferença entre esses dois cenários.
O que é um episódio de compulsão alimentar?
De início, vale esclarecer uma coisa importante: nem todo episódio de compulsão alimentar é um episódio de transtorno de compulsão alimentar.
Um episódio de compulsão alimentar costuma envolver:
- comer muito mais rápido que o normal,
- comer sem sentir fome,
- comer até se sentir desconfortavelmente cheio e
- comer mais do que a maioria das pessoas comeria na mesma situação.
O que é o transtorno de compulsão alimentar?
Para que um episódio de compulsão alimentar seja diagnosticado como transtorno de compulsão alimentar, além de atender aos critérios citados acima, é necessário que eles se repitam com frequência e que gerem culpa e angústia após a alimentação.
O papel da culpa na relação com a comida
É comum comermos pequenas porções de alimentos chamados hiperpalatáveis, que são estruturados para gerar bastante prazer, já que apresentam sabor forte e prazeroso, o que estimula nossa dopamina.
Geralmente, esses alimentos hiperpalatáveis são compostos por três elementos essenciais: sal, gordura e açúcar.
Ao serem ingeridos, eles trazem um reforço positivo ao comer, o que nos faz aumentar a quantidade que ingerimos desses alimentos.
Por causa dessa pressão em torno do que é “bom” ou “saudável” sobre a comida, a pessoa acaba sentindo culpa depois de comer. Esse sentimento pode levar a pessoa a se restringir de algum alimento e, ao entrar em contato com ele novamente, pode acabar comendo mais do que havia planejado.
A culpa, por si só, não é um sintoma. Mas ela é um indicador de que algum ponto no comportamento alimentar não está bem.
Repensando a relação com a comida
A partir disso, vale a pena refletir sobre como está a nossa vivência em relação à comida. Parar de pensar tanto em macronutrientes e em alimentos bons ou ruins, lembrar de que cada alimento carrega um simbolismo e que a alimentação é mais do que isso.
Quando procurar ajuda
Se você perceber que a culpa, a angústia e a sua vivência alimentar estão gerando sofrimento, procure um profissional. Pode ser um nutricionista, um psicólogo ou um psiquiatra, alguém com quem você possa conversar sobre o seu desconforto.
