07/07/2022

de Arthur Guerra*

Nos últimos anos, diversas tragédias e catástrofes naturais têm acontecido em estados brasileiros, como as fortes chuvas que levaram a várias mortes na Bahia, Rio de Janeiro e Recife neste ano. Infelizmente, a falta de planejamento que acomete alguns destes casos reflete-se nos danos gigantescos que impactam não só a infraestrutura, os negócios e a economia, mas o estado de saúde mental das pessoas que vivem nestes contextos e são diretamente afetadas pelas consequências destas fatalidades tão tristes.

Alguns dados levantados pela Organização Mundial da Saúde indicam que em locais onde aconteceram tragédias naturais, houve um aumento de quase 29% nos casos de depressão, além do aumento também do alcoolismo e uso de drogas, surtos psicóticos e até mesmo episódios de violência. A ansiedade e o transtorno bipolar também foram diagnosticados com mais frequência entre o público avaliado pela pesquisa.

Os números são muito expressivos, mas com o mínimo de sensibilidade é possível compreendê-los perfeitamente. Afinal, quem vive este tipo de situação muitas vezes sofre o choque de traumas profundos, como a perda de um ente querido, de sua casa, seus pertences, entre outros. Infelizmente, estes momentos de dificuldade alertam para gatilhos que podem ocasionar transtornos mentais e que podem culminar em estresse pós-traumático e, em casos mais extremos, até mesmo no suicídio.

O cuidado com as pessoas impactadas por um desastre natural ou uma tragédia é uma ação que todos precisam ter, inclusive as organizações atuantes na região afetada, já que muitos colaboradores podem necessitar de apoio profissional para superar o episódio e retomar plenamente suas vidas.

Embora todo este cenário pareça um grande desafio a ser superado, é importante frisar que é possível quando há o apoio de profissionais especializados em saúde mental, capacitados e aptos a atenderem após um momento de crise ou tragédia. Dentro deste contexto, o acolhimento e apoio psiquiátrico e psicológico para atender questões de urgência em saúde mental são peças-chaves para minimizar crises e evoluções negativas, garantindo prontidão no atendimento.

Este tipo de suporte é conhecido como atendimento 24×7, um serviço de emergência que oferta atendimento em tempo integral, 24 horas por dia, 7 dias da semana. Além do tempo disponibilizado pelos psiquiatras que prestam atendimento, conta com uma visão integrada de todo o processo e dos problemas, facilitando o diagnóstico primário, que pode ocorrer já em uma primeira conversa telefônica ou virtual com o paciente, sempre considerando as necessidades de cada pessoa e o cenário em questão.

Para empresas que contratam este tipo de serviço como suporte em situações extremas, todo o processo é alinhado antecipadamente com a organização para que os profissionais possam compreender os perfis e necessidades de cada contexto e, assim, definam as melhores estratégias para oferecer o suporte e tratamento mais adequado. Oferecer serviços de saúde mental não deve ser visto só como um benefício a mais para um colaborador, mas como um cuidado para com o próximo e a sociedade como um todo.

Finalizo este texto sabendo que, infelizmente, situações de crise seguirão acontecendo mundo afora, porém, otimista de que cada vez mais o olhar empático e solidário perante o sofrimento emocional também guie pessoas e organizações nas tomadas de decisão. Dessa forma, estarão mais engajadas em promover um ambiente saudável no mundo corporativo, superando não apenas dificuldades individuais, mas também os desafios e adversidades impostos por situações de crise coletiva, assim como deve ser o verdadeiro trabalho feito em equipe.

* Arthur Guerra: Co-fundador da Caliandra Saúde Mental

Fonte: melhorrh.com.br/a-importancia-da-saude-mental-em-situacoes-de-crises-e-tragedias/