Raiva é uma emoção normal e, muitas vezes, saudável. O problema não está em senti-la, mas em como você lida com ela. Quando mal administrada, ela pode extravasar e atingir quem está por perto, às vezes mais do que a própria causa. Com o tempo, a raiva descontrolada se torna destrutiva e afeta o trabalho, os relacionamentos pessoais e a qualidade de vida.
A boa notícia é que é possível lidar com ela de forma mais saudável. Eis algumas estratégias que ajudam:
1- Admita que ela existe
Esse é o primeiro passo. Reconhecer a raiva não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade. Lembre-se: você não é refém dela.
A emoção aparece, mas não precisa assumir o controle. É como a velha imagem do cachorro e do rabo: o rabo pode balançar, mas não é ele que conduz o cachorro.
2- Respire
Respirar para acalmar não é mito. Ajuda a regular o corpo. Respirar profunda, lenta e ritmadamente auxilia a reduzir a ativação fisiológica associada à raiva. Inspire, segure, expire. Repita. Dê tempo para o corpo acompanhar a mente. Se precisar, conte até dez. Ou até vinte.
3- Crie distância
Você ficou com raiva de alguém? Nem toda conversa precisa acontecer no auge da emoção. Se for possível, afaste-se para refletir sobre como responder à situação que deixou os seus nervos à flor da pele. Dê um tempo antes de responder, especialmente no celular. A raiva, quando compartilhada no impulso, tende a funcionar como um jogo de pingue-pongue: vai e volta, intensificando-se a cada troca.
4- Ore
A oração, independentemente da religião, pode ajudar a reorganizar o pensamento e trazer calma. Para muitas pessoas, orar é uma forma de reconexão consigo mesmo.
5- Escreva
Esta é outra estratégia potente. Colocar no papel por que você está com raiva ajuda a organizar o que muitas vezes ainda está confuso. Escrever é uma das melhores maneiras de se escutar e de diminuir a intensidade da emoção. Muitas vezes, ao final do exercício, a raiva já não tem a mesma força.
Lidar com a raiva de forma saudável não significa suprimi-la, mas aprender a atravessá-la sem causar danos aos outros e a você mesmo. Não se trata de eliminar essa emoção, mas de não permitir que ela decida por você.
*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.
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